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| NOTA 3,0 Premissa interessante é desperdiçada por roteiro pobre e interpretações pouco inspiradas |
O triângulo amoroso poderia render uma trama bem interessante, mas o problema é que o roteiro é frouxo e os personagens apáticos, o que atrapalha o rendimento dos atores que já carregam a fama de não serem bons intérpretes e aqui ganham mais um estímulo para que público e crítica permaneçam com essa visão. Anna tem um Oscar em casa conquistado quando criança, mas hoje parece que ela foi favorecida por um golpe de sorte, pois seu currículo posterior ao prêmio não é muito relevante. A outra parece que está fadada a viver eternamente atrás da sombra do marido, isso se ela não fizer como Nicole Kidman que resolveu enfrentar os holofotes e se livrar de uma vez por todas da alcunha “senhora Tom Cruise”. Bem, não parece ser o caso e nem uma idéia de Katie fazer algo do tipo. Por fim, Duhamel é simpático, tem pinta de galã, e talvez seja o único que convença com sua interpretação do noivo em dúvidas, mas não salva a lavoura. Simplesmente não parece haver ligação amorosa para tornar crível o drama vivido pelos três personagens centrais, mas não podemos culpar os atores. Realmente são os diálogos e as situações que não colaboram para criar clima e tampouco para inspirar os intérpretes. Nem mesmo as tramas paralelas salvam alguma coisa. O elenco coadjuvante tem bons atores como Malin Akerman, Adam Brody, Elijah Wood e Candice Bergen, mas nem os nomes famosos são capazes de prender a atenção do espectador a um produto praticamente sem conteúdo. Resta a esses artistas apenas declamarem suas falas tolas e que em nada acrescentam ao argumento principal ou para dar toques românticos à narrativa. Só é possível dar uns sorrisinhos tímidos quando os amigos dos noivos fazem alguns discursos em homenagem a eles em meio a um jantar uma noite antes do casório. E só. Por vezes fica até difícil compreender como esse grupo de amigos foi formado. Química não existe entre os integrantes e os assuntos em comuns são tão desinteressantes quanto o próprio perfil de cada um deles. Produções do tipo que misturam tramas paralelas, muitos artistas em cena e não possuem momentos arrebatadores não são estranhas no ninho cinematográfico. Muitos filmes estrangeiros ou representantes do cinema independente americano conseguem certo prestígio justamente utilizando tal fórmula, mas existe algo nelas que é difícil identificar que as tornam críveis e envolvem o espectador, as vezes até mesmo com pouquíssimos diálogos ou mudanças de cenários. Qual seria o segredo? A resposta mais óbvia seria o roteiro bem trabalhado ou aperfeiçoado baseando-se na teoria de que uma imagem vale mais que mil palavras. Quem curte cinema alternativo sabe o quanto um momento de silêncio pode transmitir de emoção ou conteúdo. A diretora Galt, tentando se equilibrar entre o estilo comercial e o autoral, não coloca nos diálogos e tampouco em imagens o fogo da paixão que ainda existe entre Laura e Tom. Também não imprime o romantismo necessário para tornar verossímil a idéia de que um casal está às vésperas do casamento ainda com dúvidas, embora paire no ar que o relacionamento é baseado em conveniências e interesses tanto dos noivos quanto de suas famílias. Na realidade eles parecem mais ex-namorados que são obrigados a conviver em uma mesma casa em um final de semana. É difícil até classificar a qual gênero esta produção pertence. Humor há bem pouco. Romance e drama se misturam em doses semelhantes, mas sem nunca atingirem a porcentagem ideal a ponto de cativar o espectador a torcer por uma ou outra mocinha. A torcida mais certa é para que o tempo passe rapidamente para chegarmos a um final romântico e feliz. Errado! A última cena deve fazer muita gente esbravejar sua indignação, mas ao menos um pouco antes somos contemplados com a cena mais forte, dramaticamente falando, de todo o longa. É quando as jovens rivais têm uma discussão e expõem os seus sentimentos. A cena é até clichê, mas é o que se salva no conjunto. Se a cineasta erra no roteiro que ela mesma assina, deixando de se aprofundar nas situações e no mundo dos personagens que criou, e também não inova nos planos de filmagem, ao menos ela merece elogios pelas escolhas das locações de paisagens naturais, os cenários internos da casa onde tudo acontece e pela bela fotografia que dá um ar de aconchego e realismo à trama. Todavia, O Casamento do Meu Ex só serve para passar o tempo e mais nada. Está anos-luz de ser considerada uma produção marcante ou que mexa com a emoção do público. Nem mesmo os mais românticos devem aprovar totalmente. Em resumo, é o típico filme bonitinho que não faz mal a ninguém, mas também não faz falta.
Romance - 95 min - 2010



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